terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

MIGRAÇÕES: "LEIS PARA A ACOLHIDA E NÃO APENAS PARA A REPRESSÃO"



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu na manhã desta terça-feira (21/02) os participantes do Fórum 'Paz e Migrações', evento organizado pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, o Scalabrini International Migration Network (SIMN) e a Fundação Konrad Adenauer.
O scalabriniano Alexandre Biolchi é vigário regional da Congregação, representando 7 países: Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru, num total de 160 padres e 30 estudantes. Ele é também o coordenador das Rede Scalabriniana de Comunicação e participa do Fórum Migrações e Paz. Ele participa do Fórum e estava presente na audiência com o Pontífice, no Vaticano. Ouça a entrevista na integra, clicando aqui:
 
"O tema da migração não é um tema exclusivamente da segurança nacional, como muitos países hoje o veêm tratando, mas sim um tema que será abordado desde as políticas públicas. Como religiosos, como Congregações, como Igreja, nós sempre defendemos o direito à migração, o direito a migrar".
"A Declaração Universal dos Direitos Humanos fala disso, que todas as pessoas têm direito a se locomover, mas não fala que têm o direito da acolhida. E é isso, justamente, que os Fóruns, os eventos que a Rede SIMN e a Congregação Scalabriniana tentam abordar: não só o direito de ir, mas também o direito de ser acolhido, de ser integrado e poder viver com dignidade como Filhos e Filhas de Deus que somos todos os seres humanos".
"O Brasil sempre teve uma história muito ligada à migração, primeiro como receptor, e agora, nestes últimos anos, de fato, voltando a receber muitos migrantes. Podemos dizer que nos últimos dois anos, a migração africana e a haitiana, que é muito forte nos últimos 5/6 anos, passam pelo Brasil para ir a novas rotas, outros lugares... a migração haitiana está indo para o Chile".
"O grande desafio que temos como Igreja e como Congregação Scalabriniana é poder ajduar a sociedade civil a entender que os migrantes não são aqueles que vêm tirar o trabalho dos brasileiros, mas vêm com o seu jeito e com sua força de trabalho contribuir e com isso, ganhar o sustento para sua família. O desafio é ajudar os políticos do nosso país para que possam elaborar leis que vão ao encontro das necessidades dos migrantes. Não só leis de repressão, mas leis de acolhida, para que se viva e se veja a questão migratória como uma questão de política pública. Neste sentido, o Brasil tem dado alguns passos: a aprovação da nova lei de migração; e todo o trabalho de base, que é sempre um desafio: a acolhida, o acompanhamento jurídico-legal... Nós temos algumas casas de acolhida aos migrantes... Sentimo-nos pequenos diante das necessidades".(CM)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

PAPA FRANCISCO: "PEDIR A GRAÇA DA VERGONHA DIANTE DAS TENTAÇÕES"



Cidade do Vaticano (RV) – Que o Senhor nos dê a graça da ‘santa vergonha’ diante da tentação da ambição que envolve todos, inclusive os bispos e as paróquias. Foi a exortação do Papa na homilia da missa matutina da terça-feira (21/02), na Casa Santa Marta.
 
Francisco recordou que quem quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos. 
Todos seremos tentados”: é o ponto de partida da homilia, inspirada nas leituras do dia. A primeira lembra que quem quer servir o Senhor se deve preparar para a tentação. Já o Evangelho fala de Jesus quando anuncia aos discípulos a sua morte, eles não entendem e têm medo de interrogá-lo. “Esta é a tentação de não cumprir a missão”, disse o Papa. “Jesus também foi tentado: no deserto, três vezes pelo diabo, e depois por Pedro, ante o anúncio da sua morte.
Mas há outra tentação narrada no Evangelho: os discípulos discutem sobre quem deles é o maior e se calam quando Jesus os interpela sobre o motivo da discussão. Calam-se porque se envergonham: 
“Mas eram pessoas boas, que queriam seguir o Senhor, servir o Senhor, mas não sabiam que o caminho do serviço ao Senhor não era assim tão fácil, não era como filiar-se numa organização, numa associação de beneficência, para fazer o bem. Não, é outra coisa. Eles temiam isso. E depois, a tentação da mundanidade: desde o momento que a Igreja é Igreja e até hoje isto aconteceu, acontece e acontecerá. Por exemplo, as lutas nas paróquias. ‘Eu quero ser presidente desta associação, quero me promover um pouco’. Quem é o maior, aqui? Quem é o maior nesta paróquia? Não, eu sou mais importante do que ele; aquele não porque fez aquilo... e assim por diante... a corrente dos pecados”. 
A tentação que leva a ‘falar mal do outro’ e a ‘se promover’... Francisco fez outros exemplos concretos para explicar esta tentação: 
“Algumas vezes nós, padres, dizemos com vergonha, nos presbitérios: ‘Eu gostaria daquela paróquia... Eu queria aquela...’. É o mesmo: este não é o caminho do Senhor, mas o caminho da vaidade, da mundanidade. Inclusive entre nós, bispos, acontece o mesmo: a mundanidade chega como tentação. Muitas vezes ‘Eu estou nesta diocese mas estou de olho naquela, porque é mais importante, e articulo buscando influências, faço pressão, empurro neste ponto para chegar lá’. ‘Mas o Senhor está lá’. O desejo de ser mais importante nos leva ao caminho da mundanidade. 
O Papa exortou a pedir sempre ao Senhor ‘a graça de nos envergonharmos’  quando nos encontrarmos nestas situações: 
Jesus inverte aquela lógica. Sentado entre eles, lhes recorda que ‘quem de vocês quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos’. E pega um menino e o coloca no meio deles. 
O Papa pediu para rezar pela Igreja, ‘por todos nós’, para que o Senhor nos defenda ‘das ambições, da mundanidade e de nos sentirmos maiores do que os outros’: 
“Que o Senhor nos dê a graça da vergonha, aquela santa vergonha, quando nos encontrarmos nesta situação, diante da tentação. ‘Sou capaz de pensar assim? Quando vejo meu Senhor na cruz e quero usar o Senhor para me promover? E nos dê a graça da simplicidade de uma criança: entender que somente o caminho do serviço... E ainda, imagino ainda outra pergunta: ‘Senhor, eu te servi toda a vida, fui o último toda a vida. E agora, o que 
nos diz o Senhor?’. ‘Diga de você mesmo: ‘sou um servo inútil’. (CM)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

EVANGELHO DO DIA

Marcos 9,30-37
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.— Glória a vós, Senhor.Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão, mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”.32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “Que discutíeis pelo caminho?” 34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior.35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” 36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37“Quem acolher em meu nome uma dessas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas aquele que me enviou”. Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE


21/02/2017 - 3ª. Feira - VII Semana comum

– Eclesiástico 2, 1-13 – “Quem espera no Senhor não será desiludido! ”

O homem ou a mulher que dedicam sua vida no serviço do reino, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não estão isentos de passar por provas, sofrimentos e humilhação. Nesta leitura o Autor Sagrado nos motiva a refletir acerca da nossa condição de servos tementes ao Senhor e confiantes na Sua misericórdia e na Sua proteção. A contrariedade e a perseguição fazem parte da rotina de todos os que são tementes a Deus. No entanto, a diferença que há é que a confiança e o abandono em Deus nos fazem ter esperança e firmeza nos nossos propósitos. Quem espera no Senhor não será desiludido e quem permanece firme nos Seus mandamentos nunca será desprezado. Sofrer as demoras de Deus é esperar pacientemente o novo dia depois de uma noite tortuosa, é nunca desesperar no hoje, porque a Palavra de Deus é a avalista da alegria do amanhã. Assim como o ouro e a prata são provados no fogo, os homens que são agradáveis a Deus são purificados na humilhação e nas experiências dolorosas da vida. A fé e a confiança de que Deus cuida de nós, que a sua recompensa não nos faltará nos faz esperar coisas boas, alegria e misericórdia. O nosso destino é a salvação e tudo o que nos acontece é providencial para o nosso crescimento espiritual e para nos configurar cada vez mais a Cristo! – Você tem suportado as demoras de Deus? – Você conhece alguém que tenha confiado no Senhor e desiludiu-se? Você tem o seu coração firme no Senhor? – Você se revolta quando passa por alguma provação? – Você tem crescido com as experiências dolorosas da sua vida?


Salmo 36 – “Entrega teu caminho ao Senhor, e o mais ele fará!”

O Senhor jamais abandona os seus amigos, é o que nos garante o salmo. Quem será então amigo (a) do Senhor? Quem coloca Nele a sua alegria e a sua confiança, aquele (a) que se afasta do mal e faz o bem. A todos esses o salmista anuncia a promessa da proteção e da assistência de Deus e ainda mais a segurança em habitar na terra, porque é o Senhor quem cuida da vida dos homens e dá a eles uma herança eterna. Somos amigos de Deus?

Evangelho – Marcos 9, 30-37 – “os últimos serão os primeiros!”

Caminhando pela Galiléia com os Seus discípulos, Jesus tentava abrir-lhes os olhos para os desafios que eles teriam que enfrentar, pois faziam parte da Sua Missão. Apesar de Jesus tentar ensiná-los e conscientizá-los, eles tinham outras intenções e fugiam do assunto quando eram abordados sobre o sofrimento, a morte e a perseguição. Os discípulos não entendiam e não queriam admitir que o Messias, Enviado de Deus pudesse sofrer perseguição, pois esperavam alguém poderoso que pudesse libertá-los do jugo das nações. Jesus, no entanto, sabia que a Sua missão era outra e insistia para que eles compreendessem o plano de Deus. Na nossa percepção humana, deturpada, nós também entendemos que o discípulo que segue os ensinamentos do Mestre nunca deverá sofrer dificuldades. Com efeito, não admitimos a dificuldade, a luta, o esforço querendo logo conquistar a vitória e ter a recompensa pelo nosso trabalho. Jesus, porém, não nos quer enganar e assim também Ele quer instruir a cada um de nós que nos propomos a ser Seu discípulo (a). Para que sejamos verdadeiros discípulos (as) de Jesus precisamos seguir os passos do Mestre, em tudo. Devemos aceitar as dificuldades próprias do nosso ministério com humildade sem querer, por isso, ser diferenciado (a) e ocupar postos mais elevados. Muitas vezes, nós também, como os apóstolos, porque caminhamos com Jesus, queremos ter autoridade sobre as outras pessoas. Achamos que assim como podemos esconder as coisas dos homens, podemos também nos esconder de Deus. Queremos ser o primeiro em tudo, queremos ser grande, ter sucesso aqui na terra e também no céu, mas, Ele sonda o nosso
pensamento e bem conhece a verdade do nosso coração e Ele mesmo nos ensina: “se alguém quiser ser o primeiro que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” Para que sejamos grandes no céu e os maiores diante de Deus, nós temos que ser pequenos e humildes na terra, como uma criança que depende da força do Pai para caminhar.
– Você aceita ser discípulo (a) de Jesus? – Você admite passar por perseguição e dificuldade? – Você se sente maior que alguém? – Por quê? - Como você poderá ser pequeno na terra e voltar a ser criança?



Helena Serpa,
Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

SANTO DO DIA - SÃO PEDRO DAMIÃO


São Pedro Damião, Bispo e Doutor da Igreja. Nasceu em Ravena, Itália no ano de 1907. Marcado desde cedo pelo sofrimento porque perdeu os seus pais, foi morar e viver com seu irmão. No amor e no acolhimento, São Pedro Damião pode discernir a sua vocação.
Oração e penitência, algo que sempre acompanhou a vida de Pedro Damião; e algo que também precisa nos acompanhar constantemente.
São Pedro Damião discerniu sua vocação à vida religiosa e entrou para a Ordem dos Camaldulenses, no mosteiro de Fonte Avellana, na Úmbria, onde religiosos austeros levavam vida de eremitas.
Diante das regras e do que ele via e percebia, era preciso uma renovação a começar por ele. Ao se abrir a ação do Espírito Santo, ao ser obediente às regras, outros também foram se ajuntando a Pedro Damião, fundaram outros mosteiros e deram essa contribuição.
A renovação de qualquer instituição passa pela renovação pessoal, e também é válido para os tempos de hoje. As reclamações, as acusações, as rebeliões nada renovam, mas a decisão pessoal, a abertura a Deus, isso sim, pode provocar, como provocou na vida e na história de São Pedro Damião, uma renovação.
Deus pediu mais, e ele foi servir de maneira mais próxima a hierarquia da Igreja, sendo conselheiro de um Papa. Foi Bispo de Óstia, lugar perto de Roma, e também foi escolhido como Cardeal. Algo que marcou a sua história.
São Pedro Damião, sua própria vida nos aconselha a oração, a penitência e ao amor que se compromete com a renovação dos outros, pois a partir da renovação pessoal, nós também ajudamos na renovação do outro e das instituições.
A Igreja precisa ser renovada constantemente, para isso somos chamados a nossa renovação pessoal, a conversão diária. Peçamos a intercessão do santo de hoje que foi Bispo, Cardeal e Doutor da Igreja.
São Pedro Damião, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova Notícias

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

FREI MICHELINI: PREPAREI OS TEXTOS PARA O PAPA FRANCISCO NA GALILEIA



Cidade do Vaticano (RV) – “Tentarei colocar no centro das minhas reflexões – durante os Exercícios Espirituais pregados ao Papa Francisco – não somente a Paixão, morte e Ressurreição de Jesus, segundo narrado no Evangelho de Mateus, mas cada pregação minha terá como referência e contexto a Galiléia, em particular Cafarnaum, lugar privilegiado onde o Senhor começou a sua pregação”.
Foi o que antecipou ao jornal dos bispos italianos “Avvenire” o Frade Menor Padre Giulio Michelini, nascido em 1963, que guiará  de 5 a 10 de março na “Casa Divino Mestre, em Ariccia - na presença do Pontífice e da Cúria Romana - os Exercícios Espirituais.
“Justamente para melhor preparar-me ao clima destes Exercícios – confidenciou – retirei-me por dez dias em um dos locais mais sugestivos e silenciosos da Galileia, Cafarnaum, hóspede do convento de meus confrades da Custódia da Terra Santa, para respirar e tocar com a mão os mesmos lugares pisados e habitados por Jesus. Eu estive, entre outros, a poucos metros da casa de São Pedro”.
O religioso, docente de Exegese do Novo Testamento no Instituto Teológico de Assis, explica que em relação aos últimos predecessores que pregaram os Exercícios Espirituais ao Papa Bergoglio – o carmelita Bruno Secondin e o servo de Maria Ermes Ronchi, que trataram em suas meditações sobre o Profeta Elias e as “Nuas perguntas do Evangelho” -  “eu escolhi um texto como o Evangelho de Mateus, sobre o qual eu trabalhei para o doutorado e nas sucessivas pesquisas biblistas, para apresentar aos meus interlocutores o mistério da Paixão, morte e Ressurreição de Jesus. Não tem, também, como não entrar em questões técnicas e exegéticas, que serão, então, propostas com uma leitura do tipo existencial e espiritual”.
Segundo Frei Michelini, a escolha do tema destes Exercícios é inédita, “porque a liturgia apresenta em momentos separados a Paixão e morte de Jesus, nos dias do Domingo de Ramos e da Sexta-feira Santa, em relação ao anúncio da Ressurreição que tem lugar no dia de Páscoa. Por meio de uma leitura contínua, contemplaremos ainda mais conectados, no arco dos Exercícios, os três últimos mistérios da vida de Jesus”.
Mas a verdadeira novidade deste ano, reside em outro aspecto, como explicou o religioso, que descobriu sua vocação em Assis. “Eu quis que além de minhas reflexão houvesse uma elaborada por um casal de esposos que acompanham há anos o meu trabalho de exegeta - Mariateresa Zattoni e Gilberto Gillini – e que em outra meditação houvesse também a contribuição de uma Irmã Clarissa, que deseja permanecer anônima e vive no mosteiro de Giubbio”.
O Frade Menor revela sorrindo, que “o primeiro texto, aquele escrito por Mariateresa, tratará do tema da mulher de Pôncio Pilatos e sua tentativa de convencer o marido a libertar Jesus, enquanto a Irmã Clarissa nos ajudará a refletir sobre a “unção de Maria de Betânia” que precede o momento da Paixão”.
“Penso – confidencia ele – que a reflexão desta irmã do claustro agradará muito ao Papa Francisco, mesmo porque no contexto da unção da cabeça de Jesus se voltará com a mente àquela passagem de Mateus em que o Senhor diz aos discípulos: “os pobres sempre tereis convosco”.
A ideia de pedir uma contribuição a outras pessoas, talvez seja um caminho “inexplorado e nunca percorrido – considera o frade – mas eu queria apresentar ao Papa também a leitura concreta do Evangelho, visto com a vivência de um casal e de uma contemplativa. Idealmente, levarei estes três amigos comigo na semana do retiro em Ariccia”. Uma ocasião privilegiada – segundo Padre Michelini - para ler juntos com um olhar original, durante os Exercício Espirituais, as páginas da narrativa da Paixão de Jesus.
“Em outubro de 2013 – confidencia – pude oferecer ao Papa Francisco na visita a Assis, uma publicação minha que é um comentário ao Evangelho de Mateus. Pessoalmente me tocou o fato de que o Papa tenha escolhido “um simples frade”, que vive em um convento de província, mesmo sendo exegeta, proveniente daquele que Bergoglio – que escolheu assumir o nome do fundador da minha Ordem, o Pobrezinho de Assis – definiria “periferia”..”.
Na semana dos Exercícios será possível não somente refletir sobre o final da existência terrena de Jesus, mas também sobre a atualidade.
“As nossas meditações – explica - não serão somente em chave exegética, mas se abrirão ao mundo contemporâneo por meio de referências literárias e as notícias. Colocarei em relação, na última meditação, o “despertar” de Jesus no sepulcro com um particular despertar de que fala Kafka na “Metamorfose”, aquele do protagonista Gregor Samsa, mas leremos também textos de outros autores como Amos Oz o Emmanuel Carrère, e também trechos de jornais, com textos de Gramellini e Maraini, este último sobre o massacre de Aleppo”.
“Faço votos – conclui Frei Michelini - sobretudo de poder ajudar aqueles que participarão dos Exercícios a redescobrir o sentido mais íntimo das última palavras de Jesus, colher o espírito delas e assim nos preparar da forma mais autêntica para a Páscoa. Para aprender, em suma, a estar verdadeiramente com Jesus”.(Avvenire/je)(from Vatican Radio)
Fonte Rádio Vaticano

TEMPO DA QUARESMA: A OBSERVÂNCIA QUARESMAL



Imagem: www.franciscanos.org.br
Poderíamos falar também de exercícios da Quaresma ou exercícios de conversão. Trata-se de três exercícios de culto a Deus, já conhecidos no Antigo Testamento e abordados por Jesus no Evangelho de São Mateus (6,1-18): a oração, o jejum e a esmola.
Jesus não condenou estas práticas de culto. Quis, sim, purificá-las da hipocrisia. Muito cedo, a Igreja acolheu esses exercícios como prática de conversão, sobretudo na Quaresma. São Leão Magno, o grande papa do século V, mostra como essas três práticas atingem de modo profundo os três principais relacionamentos do homem: com Deus, pela oração; com a natureza criada, pelo jejum e com o próximo, pela esmola. Por isso, esse evangelho é proclamado na Quarta-feira de Cinzas, abertura da Quaresma, como um verdadeiro programa de exercício de conversão para os cristãos.
Na virtude da fé, o homem volta-se diretamente a Deus pela oração. Louva-o e o adora. Reconhece-o como Criador, Senhor e Pai e a si mesmo como criatura e filho. Realiza-se uma conversão, pois pela oração o homem se situa no seu lugar, na sua vocação em relação a Deus.
E temos mais: quando, na Quaresma, a Igreja intensifica a oração, ela celebra o Cristo orante em profunda comunhão com o Pai.
Na virtude da esperança, o homem já participa do Bem Supremo que é Deus. Então, os bens deste mundo não o escravizam.
Faz uso deles para o bem próprio e do próximo e neles degusta o Bem, que é Deus. Mas muitas vezes acaba escravizando-se aos bens materiais. Aparece, então, o sentido do jejum religioso. Jejuar significa abster-se de alimento, tomar uma atitude de respeito e de liberdade diante das coisas, fazer espaço para os outros e para Deus, confiar na providência de Deus. Por este gesto, que é um rito, a Igreja comemora o Cristo, Senhor da criação e a vocação do homem como senhor da criação. Constitui um ato de conversão a Deus através das coisas. Importa, então, viver em atitude de jejum. De quantas coisas podemos jejuar!
Na virtude da caridade, o homem é chamado a ser profeta, revelando Deus, que é amor e apontando para ele. E chamado a viver como irmão. Num gesto ou rito de generosidade, a esmola, ele celebra sua capacidade de doar, de amar, de partilhar, segundo Deus. Celebra a generosidade do Deus Criador e do Deus Salvador. É o sentido mais profundo da esmola: dar de graça, dar sem querer retribuição, dar em solidariedade, partilhar com o próximo. Importa, então, viver em atitude de esmola: ser esmola, ser generoso, ser dom para o próximo, partilhar com os irmãos os seus bens, a exemplo do Deus Criador e de Jesus Cristo, dando sua vida por todos.
Texto de “Viver o Ano Litúrgico – Reflexões para os domingos e solenidades”, de Frei Alberto Beckhauser, Editora Vozes.
Fonte: Franciscanos

PAPA FRANCISCO NA PARÓQUIA DE SANTA MARIA JOSEFA: ORAÇÃO, ANTÍDOTO CONTRA O ÓDIO



O Papa Francisco saiu, do Vaticano, às 15h locais e chegou à Paróquia de Santa Maria Josefa do Coração de Jesus poucos minutos depois. Ao chegar, foi acolhido pelos fiéis que estavam à sua espera, pelo Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, pelo bispo auxiliar do sector leste da cidade, Dom Giuseppe Marciante, e pelo pároco Francesco Rondinelli.

A Igreja estava repleta de fiéis e fora dela milhares de pessoas. Nas varandas dos apartamentos vizinhos foram colocadas várias faixas com as escritas “Viva o Papa”.
A seguir, o Papa se encontrou com as crianças de 6 a 11 anos, no salão paroquial, que fizeram várias perguntas ao Pontífice. Uma delas perguntou a Francisco como ele se tornou Papa. Outra perguntou se precisava pagar para ser Papa: “Não”, respondeu o Pontífice, “os cardeais me elegeram com a ajuda do Espírito Santo”.
Foi perguntado também ao Papa quais foram os momentos mais difíceis de sua vida. Ele respondeu que foram muitos, porém, o mais difícil foi quando ele teve uma infecção que causou a remoção de um pulmão quando tinha vinte anos. “Mas a vida é bela”, acrescentou, “e as dificuldades se superam”.
A seguir, o Santo Padre se encontrou com os idosos, os doentes, os casais que bautizaram seus filhos no mês passado, e as famílias ajudadas pela Caritas.
Depois, o Papa presidiu a celebração eucarística e na sua homilia frisou que “as leituras de hoje contêm uma mensagem única. A primeira leitura, nos diz para sermos santos, porque o nosso Deus é Santo. No Evangelho, Jesus nos diz para sermos perfeitos como o Pai do céu. “Este é um programa de vida”, disse o Papa.
“Qual é o caminho para alcançar a santidade? Jesus explica bem no Evangelho de hoje e explica com coisas concretas: Primeiramente, foi dito olho por olho e dente por dente, mas eu lhes digo para não se opor ao inimigo. Nada de vingança. Se eu tenho no coração rancor por alguma coisa que alguém me fez, isso me distancia do caminho da santidade. Você me fez isso! Vai me pagar. Isso não é cristão. Você vai me pagar não é linguagem de um cristão. Se alguém lhe der um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! O rancor é algo feio.”
Vemos nos jornais as grandes guerras, massacre de pessoas, de crianças. Quanto ódio! Rancor, desejo de vingança! Mas é o mesmo ódio que você tem no coração por algum parente.
“Perdoar no coração. O perdão é o caminho da santidade. Isso distancia das guerras. Se todos os homens e mulheres do mundo aprendessem isso não existiriam guerras. A guerra começa na amargura, no rancor, no desejo de vingança. E isso destrói famílias, amizades, bairros, destrói muito”.
“O que devo fazer: amar os inimigos e rezar por eles. Rezar por aquele que me fez mal para que mude de vida, para que o Senhor o perdoe. Esta é a magnanimidade de Deus, do Deus magnânimo que perdoa tudo, que é misericordioso. Você também é misericordioso com quem lhe fez o mal? Devemos fazer como Deus. Esta é a santidade. Rezar por aquele que não quer o nosso bem, pelo nosso inimigo. Talvez o rancor permaneça em nós, mas nós estamos fazendo um esforço para caminhar na estrada do Deus misericordioso, bom e perfeito”.
“Rezemos por aqueles que matam as crianças nas guerras. É difícil. Está muito distante, mas temos de aprender a fazer isso para que se convertam. Rezemos por aqueles que estão próximos a nós e querem o nosso mal. A oração é o antídoto contra o ódio, contra a guerra. Guerras que muitas vezes começam em casa, nos bairros, nas famílias por herança. Quantas famílias se destroem por causa de herança! A oração é potente, vence o mal e traz a paz.”
O amplo bairro Castelverde que Francisco visitou surgiu em 1950, quando nessa área se estabeleceram os imigrados italianos vindos da região das “Marche” que lhe deram o nome de “Castellaccio” devido à presença da torre de um antigo castelo. Bonificado, foram ali construídas as primeiras casas e uma igreja.
Em Setembro de 1966, sob pedido do então pároco, Alfredo Maria Sipione, ao Presidente da Câmara de Roma, o bairro tomou o nome de “Castelverde”, denominação oficializada por ocasião da visita pastoral do Papa Paulo VI.
A partir do ano 200, o bairro passou por uma grande expansão urbanística com uma zona completamente nova chama “Lunghezzina 2”, pois que Castel Verde se situa entre a conhecida Via Prenestina a Sul de Roma e Lunghezza a norte.
O bairro foi visitado também pelo Papa João Paulo II em Dezembro de 2001, tendo o Pontífice inaugurado nessa ocasião uma nova Igreja para uma comunidade que até então celebrava a missa numa garagem. Isso alimentou a esperança numa vida digna e cristãs nas faixas mais penalizadas pela pobreza.
Mas passados 15 anos, disse o actual pároco, Francesco Rondinelli, embora se trata de gente generosa, as dificuldades persistem. A população quase que quadruplicou, sendo hoje cerca de vinte mil habitantes. Foi construída uma nova escola e um grande centro comercial, e nada mais. A degradação continua: muita pobreza e muito desemprego. E o pároco afirma – em jeito de apelo – que seria necessário uma grande empresa que desse trabalho a quem morra na zona. Ele considera que há muita gente disposta a fazer mesmo trabalhos humildes e desejosa de viver dignamente. Há também muitos estrangeiros na zona e a integração é difícil – assegura o P. Francesco rematando que se trata de uma “normal” e complicada vida de periferia.
Com 39 anos de idade, ex-cozinheiro, o P. Francesco diz ter tido uma vocação tardia, mas que abriu um novo e belo, muito belo, capítulo na sua vida.
O seu programa pastoral é fazer da paróquia uma luz, um ponto de referência para os habitantes de Castel Verde. “Temos uma bela sala teatral, pode ser um importante ponto de agregação para o crescimento humano e cultural” – frisa, sublinhando todavia, que o centro das actividades é a “evangelização”, pois que a comunidade deve “crescer espiritualmente”. E a visita neste domingo 19 do Papa Francisco é um trampolim importante para esse crescimento. “Só a notícia da sua vinda – afirmou o P. Francisco a um jornalista de L’Osservatore Romano – fez reflorescer muitos corações. Foi como que uma recuperação da identidade. A partir disso podemos lançar as bases para um trabalho conjunto, maravilhoso”, juntos – conclui – porque “a paróquia deve tornar-se a casa das pessoas”.(DA/MJ)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano

EVANGELHO DO DIA


Marcos 9,14-29
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.— Glória a vós, Senhor. Naquele tempo, 14descendo Jesus do monte com Pedro, Tiago e João e chegando perto dos outros discípulos, viram que estavam rodeados por uma grande multidão. Alguns mestres da Lei estavam discutindo com eles.15Logo que a multidão viu Jesus, ficou surpresa e correu para saudá-lo. 16Jesus perguntou aos discípulos: “Que discutis com eles?” 17Alguém na multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. 18Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito, mas eles não conseguiram”.19Jesus disse: Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei de suportar-vos? Trazei aqui o menino”. 20E levaram-lhe o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca.21Jesus perguntou ao pai: “Desde quando ele está assim?” O pai respondeu: “Desde criança. 22E muitas vezes, o espírito já o lançou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos”.23Jesus disse: “Se podes!... Tudo é possível para quem tem fé”. 24O pai do menino disse em alta voz: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”. 25Jesus viu que a multidão acorria para junto dele. Então ordenou ao espírito impuro: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno que saias do menino e nunca mais entres nele”.26O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto, e por isso todos diziam: “Ele morreu!” 27Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o e o menino ficou de pé.28Depois que Jesus entrou em casa, os discípulos lhe perguntaram a sós: “Por que nós não conseguimos expulsar o espírito?” 29Jesus respondeu: “Essa espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração”. Palavra da Salvação.

REFLEXÕES SOBRE AS LEITURAS DE HOJE


20/02/2017 - 2ª. Feira VII Semana comum

– Eclesiástico 1, 1-10 – “ Deus é a própria SABEDORIA

Toda a sabedoria vem do Senhor, pois Deus é a própria SABEDORIA e ninguém no mundo poderá explicar a origem e os mistérios do universo. Por mais que se esforce para decifrar os enigmas de Deus e mesmo que em alguns terrenos o homem já tenha progredido existem coisas tão simples que ele nunca poderá imaginar como se fará: o perfume de uma rosa, a cor da noite e do dia, o amanhecer, o anoitecer, o dia da sua morte, o que virá amanhã... etc. Ninguém poderá medir a altura do céu, a extensão da terra , no entanto, como diz o autor, Deus derramou a Sua sabedoria sobre todas as Suas obras e em cada ser humano, segundo a Sua bondade. A Palavra de Deus é fonte de Sabedoria para nós e, por intermédio dela com o auxílio do Espírito Santo muitos segredos nos são revelados. A presença da Sabedoria de Deus também é real na natureza e em toda a Sua criação e todos nós que O tememos e acreditamos no Seu poder temos a capacidade para intuir os Seus ensinamentos. Desta forma, nós podemos nos tornar co-participantes da Sua glória aqui na terra vivendo em harmonia com o universo que foi criado para nós. É sábio (a) aquele (a) que reconhece que Deus é a fonte de sabedoria para que tenhamos uma vida feliz. – Existem coisas no mundo para as quais você ainda não encontrou justificativa? – Quando você contempla a natureza a quem você atribui toda a beleza? – Você se acha uma pessoa sábia e inteligente? – A quem você agradece por isto?

Salmo 92 – “Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor!”

A realeza de Deus nós proclamamos porque reconhecemos o Seu poder infinito. Contemplando o universo, o passar dos dias, os acontecimentos, os milagres e prodígios que o homem não alcança, nós podemos afirmar que o Senhor é Rei e se reveste de beleza e esplendor diante dos nossos olhos espirituais. Cante com o salmista: “Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor“

Evangelho – Marcos 9, 14-29 – “Será que duvidamos do poder de Deus?”

É no nosso dia a dia na planície da vida diária que somos chamados (as) a colocar em prática o que Jesus nos ensina na montanha que é o nosso momento de oração. Jesus subiu a montanha com Pedro, Tiago e João e lá se transfigurou diante deles, mostrando-lhes uma intimidade com o Pai e o mundo espiritual. Porém, foi quando desceram que surgiu a oportunidade para que Ele revelasse aos demais o poder que recebera do alto. Aquele pai, ao mesmo tempo em que afirmava ter fé, também pedia ajuda a Jesus pela sua falta de fé. Nós também muitas vezes dizemos que temos fé, mas não assumimos a nossa fé, por isso quando nos dirigimos a Jesus com os nossos pedidos nós também ousamos dizer: “Se podes!” Será que duvidamos do poder de Deus? A nossa fé no poder curador de Jesus é o princípio para que a Sua obra aconteça em nós. E somente tendo esse entendimento com Ele nós podemos também expulsar os espíritos maus que afugentam as pessoas as quais encontramos no caminho. “Desde quando ele está assim”, Jesus perguntou ao pai que respondeu: ”desde criança!” Há dentro de cada um de nós também, desde criança, algo que está mudo, fechado, lacrado, do qual não temos consciência. Desde cedo na nossa vida nós vamos acumulando os espíritos do mundo que nos afastam de Deus e quando percebemos estamos “possuídos” pelo espírito que rege o mundo e somente uma fé vigorosa e uma intimidade grande com o Pai nos podem ajudar a sair da escravidão e auxiliar  a quem precisa de libertação. Somente Jesus conhece o profundo do nosso ser e apenas Ele pode nos pegar pela mão e nos ajudar a ficar de pé. Deus depende da nossa fé, e precisamos também pedir como aquele pai: “eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”. – Qual o espírito ruim que você cultiva desde criança? – A sua fé tem o poder de afastar os espíritos maus que perturbam a sua família? – Você tem tido oportunidade de colocar em prática os ensinamentos que Jesus dá em oração?

Helena Serpa,

Fundadora da Comunidade Missionária Um Novo Caminho

SANTO DO DIA - BEATOS FRANCISCO E JACINTA


No ano de 1908, nasceu Francisco Marto. Em 1910, Jacinta Marto. Filhos de Olímpia de Jesus e Manuel Marto. Eles pertenciam a uma grande família; e eram os mais novos de nove irmãos. A partir da primavera de 1916, a vida dos jovens santos portugueses sofreria uma grande transformação: as diversas aparições do Anjo de Portugal (o Anjo da Paz) na “Loca do Cabeço” e, depois, na “Cova da Iria”. A partir de 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceria por 6 vezes a eles.
O mistério da Santíssima Trindade, a Adoração ao Santíssimo Sacramento, a intercessão, o coração de Jesus e de Maria, a conversão, a penitência… Tudo isso e muito mais foi revelado a eles pelo Anjo e também por Nossa Senhora, a Virgem do Rosário. Na segunda aparição, no mês de junho, Lúcia (prima de Jacinta e Francisco) fez um pedido a Virgem do Rosário: que ela levasse os três para o Céu. Nossa Senhora respondeu-lhe: “Sim, mas Jacinta e Francisco levarei em breve”. Os bem-aventurados vivenciaram e comunicaram a mensagem de Fátima. Esse fato não demorou muito. Em 4 de abril de 1919, Francisco, atingido pela grave gripe espanhola, foi uma das primeiras vítimas em Aljustrel. Suas últimas palavras foram: “Sofro para consolar Nosso Senhor. Daqui, vou para o céu”.
Jacinta Marto, modelo de amor que acolhe, acolheu a dor na grave enfermidade, tendo até mesmo que fazer uma cirurgia sem anestesia. Tudo aceitou e ofereceu, como Nossa Senhora havia lhe ensinado, por amor a Jesus, pela conversão dos pecadores e em reparação aos ultrajes cometidos contra o coração imaculado da Virgem Maria. Por conta da mesma enfermidade que atingira Francisco, em 20 de fevereiro de 1920, ela partiu para a Glória. No dia 13 de maio do ano 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima, e do ‘Altar do Mundo’ beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não-mártires.
Beatos Francisco e Jacinta, rogai por nós!
Fonte: Canção Nova Notícias

domingo, 19 de fevereiro de 2017

PAPA FRANCISCO NO ANGELUS: SER ARTESÃOS DE COMUNHÃO E FRATERNIDADE



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (19/02), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
 
O Evangelho deste domingo “é uma das páginas que expressam melhor a revolução cristã. Jesus mostra o caminho da verdadeira justiça através da lei do amor que supera a de talião, ou seja, olho por olho e dente por dente. Esta regra antiga obrigava a infligir aos transgressores penas equivalentes aos danos causados: a morte a quem tinha matado, a amputação de quem tinha ferido alguém, e assim por diante. Jesus não pede aos seus discípulos para sofrerem o mal, ao contrário, pede para reagir, porém não causando outro mal, mas com o bem”.
 Bem
“Somente assim, se quebra a cadeia do mal, um mal causa outro mal. Quebra-se esta cadeira do mal e mudam-se realmente as coisas. O mal, de fato, é um vazio, um vazio do bem, e um vazio não pode ser preenchido com outro vazio, mas somente com um cheio, ou seja, com o bem. A retaliação nunca leva à resolução de conflitos. Você me fez isso. Vai me pagar! Isso não resolve um conflito, e não é cristão”.
“Para Jesus a rejeição da violência pode comportar também a renúncia a um direito legítimo e Ele dá alguns exemplos: oferecer a outra face, ceder também o manto ou o próprio dinheiro, aceitar outros sacrifícios. Mas esta renúncia não significa dizer que as exigências da justiça são ignoradas ou contrariadas, pelo contrário, o amor cristão, que se manifesta de modo especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça.”
 Distinção
“O que Jesus quer nos ensinar é a distinção clara que devemos fazer entre justiça e vingança. Distinguir entre justiça e vingança. A vingança nunca é justa. Nos é permitido pedir justiça. É nosso dever praticar a justiça, mas somos proibidos de nos vingar ou fomentar de nenhuma forma a vingança, pois é expressão de ódio e violência.”
  “Jesus não quer propor uma nova ordem civil, mas sim o mandamento do amor ao próximo, que também inclui o amor aos inimigos: ‘Amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês!’ Isso não é fácil! Esta palavra não deve ser entendida como uma aprovação do mal perpetrado pelo inimigo, mas como um convite a uma perspectiva superior, uma perspectiva magnânima, semelhante a do Pai Celeste, que ‘faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre os justos e injustos’. O inimigo também é uma pessoa humana, criada como tal à imagem de Deus, embora no presente esta imagem seja ofuscada por uma má conduta.”
Artesãos
Segundo o Papa, “quando falamos de ‘inimigos’ não devemos pensar nas pessoas diferentes e distantes de nós; falamos também de nós mesmos, que podemos entrar em conflito com o nosso próximo, às vezes com os nossos familiares. Quantas inimizades nas famílias, quantas! Pensemos nisso! Inimigos são também aqueles que falam mal de nós, que nos caluniam e nos enganam. Não é fácil digerir isso. A todos eles, somos chamados a responder com o bem, que também tem as suas estratégias, inspiradas pelo amor”.
“Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus neste caminho exigente, que realmente exalta a dignidade humana e nos faz viver como filhos do nosso Pai que está nos céus. Nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão, e a ser artesãos de comunhão, artesãos de fraternidade em nossa vida cotidiana, sobretudo em nossa família.” (MJ)(from Vatican Radio)
Fonte: Rádio Vaticano